Dissecando o Ataque do Rams

Que estilo de ataque o Rams está usando? Como ele funciona?

Coryell Offense

Esquema ofensivo: Air Coryell  ou Coryell Offense (ACO)

História:

Desenvolvido pelo ex-treinador do San Diego ChargersDon Coryell, que desistiu do seu jogo corrido pesado e adaptou as idéias de Sid Gillman, o inovador do “jogo vertical” na década de 1960, que acabou levando o nome de Coryell Offense. Coryell teve em suas mãos, no San Diego Chargers durante as décadas de 70 e 80, os jogadores Hall of Fame: QB Dan Fouts, que liderou a NFL em jardas aéreas por seis temporadas consecutivas 1978-1983 e novamente em 1985, WR Charlie Joiner, que se aposentou como líder de todos os tempos de passes recebidos do jogo, e o jogo enfatizando no Tight End como um receptor downfield o TE Kellen Winslow, que mudou o estilo de jogo do TEs, em 1980 Winslow registrou 1290 jardas,  recorde batido apenas 31 anos depois em 2011 por Rob Gronkowski com 1.327 jardas.

Air Coryell SD

Provavelmente o melhor ataque Coryell sempre foi “Greatest Show on Turf”, o Rams de 1999 a 2001, com o título do Super Bowl em 99. Eles tinham um incrível conjunto de wideouts, “recebedores rápidos” (Bruce, Holt, Hakim e Proehl), uma forte OL, e Faulk e Warner em seu auge.Juntos, eles formaram o conjunto da única equipe na história da NFL a marcar mais de 500 pontos em três temporadas consecutivas. O Rams foram 13-3, 10-6 e 14-2 nessas três temporadas, respectivamente, e alcançaram os playoffs todos os anos. Em 1999, a equipe chegou a Super Bowl XXXIV e derrotou o Tennessee Titans . O Rams perdeu na primeira rodada dos playoffs 2000 para os New Orleans Saints , mas retornou no ano seguinte para chegar a Super Bowl XXXVI , onde, perdeu para o New England Patriots .

Greatest-Show-On-Turf-

 *Falaremos mas sobre o GST na coluna Turf Show.

Filosofia:

Tem quatro princípios: Esticar o campo, proteger o passe, confundir a defesa, abrir o campo para o jogo corrido. Baseada em passes muito longos, por isso que é chamada de Vertical Offense, para colocar pressão sobre a defesa em todos os níveis do campo, especialmente profundo.

Características:

  • É um ataque com “conceito de jogo vertical”, baseado nos efeitos complementares de lançamento profundo com recebedores executando rotas longas uniformemente.
  • Os recebedores executam frequentemente rotas intermediárias a longas.
  • O QB executa jogadas com 5 e 7 step drops (recuo do QB para o passe).
  • Enfatiza a máxima proteção para o passe, para proteger o QB até os recebedores conseguirem abrir rotas longas.
  • Comprometido com um  jogo corrido forte, pois o jogo corrido abre oportunidades para grandes jogadas de passes longos e vice-versa.
  • RBs tendem a ser a válvula de escape do QB com rotas curtas se os recebedores estiverem bem marcados.

Requisitos:

  • QBs devem ser capazes de fazer passes profundos com precisão. Eles tipicamente são do tipo pocket passer (muito bons na presença no pocket) e com braços longos. Exemplos de QBs sólidos no Coryell: Troy Aikman e Kurt Warner.
  • WRs devem ser capazes de esticar o campo. O nome do jogo é velocidade e separação. Exemplos de WRs sólidos no Coryell: Torry Holt e Randy Moss.
  • RBs são rápidos mas conseguem ter um bom jogo corrido e tendem a ter um bom catch, podendo alinhar de WR. Exemplos sólidos de  RBs no Coryell são John Riggins, Marshall Faulk, Emmitt Smith, Priest Holmes e LaDainian Tomlinson.
  • TEs pode fazer as duas funções (bloquear e receber passe), têm que se encaixar em qualquer sistema, tendem a ser fortes bloqueadores tanto no passe quanto no jogo corrido, também ser capaz de alinhar como recebedor e ter boas mãos. Os melhores exemplos são Kellen Winslow e Rob Gronkowski.
  • OL ser ágil para um jogo corrido, ser forte para proteger bem o QB para que este tenha tempo para ler as rotas longas. Coryell OL sólidas:  Cowboys na década de 90 e, em 2000, Rams e Chiefs.

Vantagens:

É um ataque explosivo, capaz de grandes jogadas a qualquer momento, deixando as defesas vulneráveis e confusas: se defende a bola profunda, enfraquecendo assim o seu ball rush, ou defender a corrida, deixando-se vulnerável a grandes jogadas com o campo aberto.

Agora vamos dissecar essas informações ao Ataque do Rams:

Primeiro como chegamos ao Air Coryell:

Primeiro, notaram a semelhança entre Don Coryell e Jeff Fisher? Ambos eram adeptos ao jogo corrido pesado, ganhando jogos, mas nunca chegaram ao topo.

Apesar de Fisher ter sido um HC criado com variações “Air Coryell”, ele nunca usou essa filosofia, e lhe custou caro perdendo o super bowl  para o estilo contra o nosso St louis Rams em 1999. Depois de se afastar 1 ano da NFL, ele refez seus conceitos querendo criar um novo estilo de jogo para o time que iria comandar. Começou escolhendo o Rams por causa de Bradford, que comandou o Oklahoma Sooners em 2008 jogando muito bem com uma variação desse estilo. Trouxe Brian Schottenheimer, nosso coordenador ofensivo que é familiarizado com o estilo, ele aprendeu o jogo com seu famoso pai, Marty Schottenheimer, e criou seu próprio estilo com a base do Air Coryell que aprendeu com Jerry Rhome no St. Louis Rams durante a temporada de 1997, quando Dick Vermeil era treinador.

O que temos hoje:

Quarterback: Sam Bradford tem um braço bom, leitura rápida de defesa, passes longos e curtos certeiros, teve tempo para lançar, não é um dos QBs mais rápidos mas quando teve que correr, se virou. O Rams resolveu assinar novamente com o QB2 Kellen Clemens, que estava com Schotty no New York Jets e conhece muito bem o seu estilo, talvez por isso Austin Davis não ficou no roster.

Rams encontrar sua identidade ofensiva, algo que aparentemente não tinha em 2012. “A maior coisa que todos têm em comum é a velocidade”, disse Bradford. “Nós temos todos os formatos e tamanhos de caras que são capazes de fazer peças diferentes.”

Running Back:  Schotty quando chegou ao Rams deixou bem claro que queria um backfied com 2 RBs, e esse foi um dos motivos de SJ39 não ter permanecido no Rams, ele não aceitava dividir carries. Hoje temos 2 running backs  pass-catching: Daryl Richardson e Isaiah Pead; e RBs sólidos: Zac Stacy e Benny Cunningham, que seriam RBs para mudança de jogo, mas eles não se encaixam no estilo do ataque e devem ser o plano B de Fisfer. Pead estava suspenso, não jogou, e agora pode voltar com tudo. Stacy, que nem viu a bola direito, mas na sua única corrida mostrou que está mais veloz. Richardson foi o “burro de carga” com 20 carries, correu o suficiente, mas se quisermos chegar em algum lugar tem que aumentar sua média de jardas, ele alinhou várias vezes de Slot receiver e tem boas mãos. Depois que vi o nosso primeiro jogo entendi o porque que Fisher insiste tanto em Pead, se o jogo dele entrar e ele parar de vacilar com a bola teremos um dos ataques mais versáteis da liga e eu não vou me surpreender se ele for starter daqui a alguns jogos. Estamos sem FB e Kendricks está fazendo a função quando precisa, normalmente ele alinha de Weak (quando o FB alinha do lado oposto ao TE) ou strong (quando o FB alinha do lado do TE) formation.

Tight End: O nome do jogo aéreo é Jared Cook. Ele é o cara para Bradford, o versátil TE vindo de Tennessee. Ele alinhou em quase todas as posições de recebedor: Slot, WR aberto, WR oposto, e sua posição original TE. O Rams sabia que ele se encaixava no estilo de jogo implantado, era a peça que faltava, pagou caro pelo jogador e logo no primeiro jogo já mostrou do que pode ser capaz. Não se esqueçam de Lance Kendricks, que fez muito bem o serviço de bloqueador que o sistema ACO precisa, dando liberdade para Cook sair nas rotas, e quando Kendricks foi acionado não decepcionou.

“É uma cidade nova, uma cidade nova para mim”, disse Cook. “É a minha oportunidade de mostrar minhas habilidades e isso é algo que eu tenho lutado pelos últimos quatro anos. Vai ser um momento divertido. Você tem que trabalhar o seu caminho até o sistema e eu tenho a minha oportunidade aqui.”

Wide Receiver: O setor mais carente do Rams durante anos. Adicionamos 2 ótimos jogadores para o estilo ACO: Austin e Bailey. Foram muito bem na faculdade jogando em mais uma variação desse estilo. Austin Pettis foi o alvo 1 para Bradford e eu não entendi nada, Cris Givens pelo que mostrou na temporada passada e na pré-temporada desse ano recebeu atenção especial da defesa e pouco pôde fazer. O nosso playmacker Tavon Austin  não brilhou, mas fez sua função de puxar a marcação e nas vezes que foi lançado pegou a bola. Só achei que ele iria correr mais, mas como está no início de temporada, vou esperar para ver isso, pode ser um efeito surpresa nos jogos-chave.

Offensive Linemen: Temos o guru da linha ofensiva, Paul Boudreau, um novo tackle esquerdo de elite, Jake Long, e o center experiente Scott Wells. A OL está de parabéns.  Deu tempo a Bradford para escolher seus alvos, ele não foi sacado, isso é um excelente sinal que algo está realmente mudando em St Louis. 

 Conclusão:
O que temos hoje para dar certo:
  1. WR rápido e pequeno, que pode alinhar em qualquer lugar do campo ( Tavon Austin).
  2. Um grande WR com velocidade e habilidade zona vermelha (Pettis,Quick e Givens).
  3. Rbs que podem pegar a bola e têm velocidade ( Richardson e Pead).
  4. Um jogo corrido forte (Zac Stacy)* Não acho que temos mas ele pode ser a opção.
  5. Um grande tight end capaz de pegar passes ( Jared Cook).
  6. Linha ofensiva que pode proteger o QB (Wells e cia.).
  7. QB que pode fazer todos os lances (Sam Bradford).
O ex-treinador Dick Vermeil disse que nenhum outro ataque da NFL realiza de forma mais eficiente ou marca mais pontos do que a Offense Coryell.
A combinação de novos jogadores e estabilidade organizacional é um promissor para St. Louis Rams que espera para ter um ataque muito mais perigoso, dada a familiaridade de Bradford com o coordenador Brian Schottenheimer, isso significa que o Rams finalmente terá alguma continuidade ofensiva, o mesmo sistema e coordenador ofensivo para o quarterback por dois anos consecutivos. Isso não acontecia desde Scott Linehan e Marc Bulger, que se uniram para levar o Rams para a bons tempos an metade de 2000! Coordenador ofensivo Brian Schottenheimer, que está em seu segundo ano com o Rams, está animado com as possibilidades que este ataque tem. “Estamos emocionados com os caras que temos. Os rapazes, as novas caras têm tudo, pegaram muito, muito bem“, disse Schottenheimer. “Mas, novamente, este é apenas um passo. Vai ser bom para realmente ter um plano de jogo no lugar e ser capaz de mostrar as coisas que você quer fazer coisas que temos vindo a fazer contra a nossa defesa durante todo o verão.”
Visão de torcedor:
Ja tínhamos noção no estilo que esse ataque poderia se firmar pelas adições do FA e no Draft como comentamos aqui, os mais entusiastas torcedores do Rams já estão chamando esse ataque de “Greatest Show on Turf 2”, eu acho muito cedo mas to gostando de ver como o ataque esta se comportando, Bradford finalmente firme e decidido como sempre achamos que iria ser, o ataque ficando bastante tempo em campo e conseguimos concluir várias jogadas quando chegamos na redzone, hoje temos uma grande prova de fogo contra um time top da NFL, vamos ver como o ataque se comporta, se continuar nesse ritmo podemos ter uma temporada muito boa de se ver.
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6 comentários sobre “Dissecando o Ataque do Rams

  1. ah se esse Tvaon Austin pegasse as bolas, o cara parece que tem mãos de alface….. toda hora terceiro down bola pra ele, ele solta a carne … assim vai ficar dificil ir pra pós temporada

  2. Muito bom o texto. Achei também que muitas vezes colocavam umas jogadas de passe curto no jogo. No mais, perfeita tua análise.

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