Gregg Williams:Mafioso?

Durante o período da off season, é mais do que normal pipocarem pela imprensa americana escândalos envolvendo nomes famosos da NFL, geralmente jogadores jovens que perdem a cabeça e os limites após assinarem contratos milionários com uma franquia, ou um veterano que se envolve em algum crime passional. Como esquecer O.J. Simpson e a falta de provas para sua condenação por envolvimento no assassinato de sua esposa? Ou o bizarro tiro na própria perna que Plaxico Burress deu na balada? Dá pra citar até mesmo o caso do defensive lineman Leonard Little, rookie dos RAMS em 1998, que dirigia alcoolizado após uma festa e se envolveu num acidente automobilístico que resultou na morte de uma pessoa.

Desta vez, contudo, não foi um vetereno ou um jogador jovem recém-milionário e mal orientado quem protagonizou o maior escândalo desta off season – talvez o caso mais sério e pérfido a ser trazido a público em anos – mas sim o head coach do New Orleans Saints, Seam Payton, e o seu até então coordenador defensivo, Gregg Williams. O último nome soou familiar pra você? Deve ser porque Gregg Williams, ex-Saints, é hoje o coordenador defensivo do Saint Louis Rams.


O escândalo em questão, apelidado pela mídia esportiva norte-americana de BOUNTY GATE (sim, é uma referência direta a WATERGATE, um dos maiores embaraços da história política dos Estados Unidos), foi anunciado oficialmente pela NFL no dia 2 de março e apontava Williams como o cabeça de um esquema de bonificação pago, durante as temporadas de 2009 a 2011, para jogadores da defesa dos Saints que contundissem atacantes adversários. O valores de recompensa (bounty, em inglês, daí o nome) variavam em torno dos mil dólares, podendo chegar a mais que isso se o jogador-alvo contundido fosse um quarterback, por exemplo, e mais ainda se o cara não voltasse a campo. Segundo consta, a recompensa para quem tirasse o QB Brett Favre do jogo de decisão da NFC poderia chegar a 10 mil doletas. Desnecessário dizer que um esquema deste tipo é totalmente ilegal e altamente reprimido pela NFL.
O relatório de 50 mil páginas preparado pelo Departamento de Segurança da Liga inclui aproximadamente 25 jogadores da franquia, entre eles Jonathan Vilma, Scott Fujita, Will Smith (não, não se trata do ator de cinema) e Anthony Hargrove. Além dos jogadores, o relatório cita o head coach Seam Payton e o general manager dos Saints, Mickey Loomis. De acordo com as investigações, ambos sabiam das recompensas administradas por Gregg Williams e nada fizeram para impedir. Outros nomes também aparecem, como o assistente do head coach, Joe Vitt, além de funcionários da franquia e do amigo pessoal de Payton: Mike Ornstein, que teria enviado e-mails com proposta de recompensas. Ornstein é um cara reconhecidamente sujo, já envolvido em outros imbróglios na Liga, inclusive cumprindo pena em uma prisão federal. Dá uma olhada aqui.

Em maio, após dois meses de deliberações, a NFL desceu o cajado e anunciou a punição de alguns dos envolvidos. A franquia de New Orleans foi punida com multa de 500 mil dólares e perdeu escolhas nos drafts de 2012 e 2013. Seam Payton foi suspenso por toda a temporada 2012, sem direito à remuneração (algo em torno de 7 milhões). Loomis foi suspenso por 8 rodadas, a começar pela primeira semana da regular. Alguns jogadores já receberam suas cajadadas: Vilma foi suspenso por toda a temporada, Hargrove não jogará 8 dos jogos da regular, Smith e Fujita foram suspensos com 4 e 3 jogos, respectivamente. Outras punições também foram anunciadas e mais ainda estão por sair.

A pancada maior, contudo, coube mesmo a Gregg Williams, o cabeça do esquema. Suspenso indefinidamente da NFL sem direito à remuneração, o atual coordenador defensivo dos RAMS ainda está sendo investigado por organizar esquemas parecidos em outros times pelos quais passou, como o Buffalo Bills entre 2001 e 2003, e o Washington Redskins entre em 2004 e 2007. Parece que muita lenha ainda está por ser jogada nessa churrasqueira.
Williams não negou seu envolvimento e chegou a divulgar uma nota pedindo desculpas por sua participação no caso. Segundo a nota, o coordenador defensivo  assume inteira responsabilidade por sua parte, diz ter cometido um “terrível erro” e “aprendido uma dura lição” .

Interessante notar a conduta de Williams após a bomba explodir. Não negou, assumiu sua parcela de culpa e se retratou publicamente. Tal atitude, correta a se tomar após um erro como este, parece ser mesmo típica de cidadãos de países desenvolvidos. Lembro do um caso recente do presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-Bak, que pediu desculpas à nação pelo envolvimento de seu irmão, acusado de receber propina de empresas para desviar inspeções e multas. O presidente sul-coreano nem sequer foi citado no rolo e muito menos sabia do esquema, mas assumiu a responsabilidade por não ter evitado a corrupção. Difícil não comparar com nossos representantes públicos que, mesmo comprovadamente atolados até o pescoço em sujeira, negam copiosamente e fazem carinha do Gato-de-Botas do Shrek enquanto pedem pra não ser cassados.


Não que eu esteja defendendo Gregg Williams. Muito pelo contrário: o bounty gate é grave demais para que penas brandas sejam impostas aos culpados. Acredito que Williams, Payton e todos os jogadores acusados deveriam ser expulsos em definitivo da NFL. O futebol americano é um esporte de muito contato que, quando jogado lealmente, já gera lesões severas e muitas vezes permanentes. Quando jogado de modo desleal por mafiosos como estes, então, pode ser muito mais perigoso para seus praticantes.
O chato disso tudo para o St Louis Rams é ver seu nome citado ao lado de Gregg Williams nas notícias divulgadas pela imprensa. Obviamente que ninguém sabia nada sobre a prática das bonificações em New Orleans quando o coordenador defensivo foi contratado. O próprio Jeff Fisher, no site oficial do time, afirmou isso e  manifestou sua surpresa com o caso. O técnico ainda apoiou Williams, com que já havia trabalhado no Tenessee Titans, e disse não estar surpreso com a severidade da punição imposta por Roger Goodell, o comissário da NFL.


Pelo que consegui pesquisar, o Saint Louis Rams ainda não divulgou quem irá substituir Williams para a temporada regular, que começa no próximo mês. Na escalação dos técnicos, no site do time, não consta a posição de Coordenador Defensivo, mas tem alguns caras ajudando por fora a organizar a defesa e o HC esta acumulando como DC. Por enquanto, a franquia tem se mostrado solidária para com Wiiliams e disposta a colaborar com as investigações realizadas pela Liga, certamente numa tentativa de tentar tirar o nome dos RAMS desta poça de lama que é o bounty gate. Realmente, como diz um velho dito popular, “quem se mistura com os porcos, acaba comendo lavagem”.

Um abraço.

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